Vale confirma descoberta de mineral raro em Itabira

por GeoHydroTech Engenharia em 23/Jan/2020
Vale confirma descoberta de mineral raro em Itabira

Com exclusividade, a Vale respondeu ao Folha Popular sobre a mais recente descoberta em Itabira que pode revolucionar a ciência e o futuro da tecnologia no mundo. Trata-se de um novo mineral, encontrado em uma pedra de hematita, na mina do Cauê, a primeira da mineradora na cidade. A este mineral, deram o nome de jacutingaíta, cujo reconhecimento oficial aconteceu em 2011 pelo International Mineralogical Association (IMA).

Segundo a Vale, foi a primeira ocorrência natural do tal minério. “Trata-se, porém, de uma ocorrência extremamente rara. A pesquisa que levou à aprovação do mineral pelo IMA foi feita em material sintético, produzido em laboratório, uma vez que a amostra coletada em Itabira era tão pequena que não permitia sua caracterização (era somente visível em microscópio eletrônico de varredura – MEV)”, disse a mineradora.

Que mineral é este?

Uma reportagem publicada pelo site especializado Inovação Tecnológica em 2019 afirma que a jacutingaíta é um isolante topológico, material que é, ao mesmo tempo, isolante e condutor de energia – como se fosse borracha e metal. O tipo de material está no topo da lista dos mais avançados e promissores quando o assunto é nanotecnologia. A descoberta de tais fenômenos topológicos ganhou, inclusive, Nobel de Física em 2016.

Ok. Então foi descoberto, pela primeira vez no mundo, um material em Itabira que pode revolucionar a ciência e toda tecnologia que conhecemos. Mas o que Itabira pode ganhar com isso? Nesse aspecto, há mais perguntas do que respostas. Teria jacutingaíta o suficiente para uma exploração economicamente viável? A cidade ganharia com royalties e geração de empregos, como estamos acostumados a ver em exploração de recursos naturais? Seria uma nova era da mineração na cidade do ferro? Ou será que muito dessa jacutingaíta já foi embora em meio ao minério de ferro que Itabira exporta desde 1942? Ninguém sabe as respostas com precisão.

A matéria do site especializado afirma que a “jacutingaíta, quando desfeita em camadas monoatômicas, torna-se o principal material disponível hoje no mundo para estudar um dos fenômenos mais promissores no mundo da física, tanto em termos de compreensões fundamentais da matéria, quanto para aplicações tecnológicas, dos supercondutores aos computadores quânticos”.

Imagem por microscopia eletrônica da jacutingaíta (branco) sobre a superfície de um bloco de hematita, potarita e ateneita. À direita visão superior e lateral de uma cada monoatômica de jacutingaíta.

E o que é computador quântico?

Segundo a Wikipedia, um computador quântico é muito mais avançado e potente do que um computador clássico, desses que usamos no dia a dia. Teoricamente, ele pode executar cálculos que um computador comum não pode, o que o torna muito mais poderoso na solução de certos tipos de problemas, como os relacionados à inteligência artificial, desenvolvimento de medicamentos, criptografia, modelagem financeira e previsão do tempo.

Um computador quântico seria capaz de quebrar a maioria dos sistemas de criptografia existentes atualmente, ao mesmo tempo em que ofereceria soluções muito mais eficientes do ponto de vista de segurança digital. Este é apenas um exemplo. O mineral encontrado em solo itabirano tem potencial, teoricamente, para fazer muito mais no infinito mundo sem fronteiras da ciência. A comunidade científica já estuda outros materiais semelhantes, como o grafeno, visando o aprimoramento de dispositivos que serão certamente muito usados no futuro. A distância do caminho a ser percorrido é que é uma incógnita.

Cientistas pesquisadores da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), em outras entrevistas à reportagem sobre pesquisas de ponta, afirmaram que os estudos que estão sempre na fronteira do conhecimento costumam levar décadas para transformarem efetivamente a vida das pessoas. Quanto tempo a jacutingaíta se tornaria um ativo de valor econômico? Não dá para especular.

Enquanto isso…

Enquanto os estudos avançam, é salutar que Itabira continue buscando alternativas mais palpáveis, pensando no curto/médio prazo, para sua iminente transformação econômica e social. O fim da exploração do minério de ferro, este que a gente conhece e sabe para que serve, está cada vez mais próximo. Pelos cálculos da própria Vale, restam oito anos de reservas economicamente exploráveis. Até porque, diz a matéria do site Inovação Tecnológica, uma das poucas fontes sobre a descoberta promissora de Itabira: “Como qualquer material de alta tecnologia, não basta ter uma mina para usufruir dos seus benefícios. As vantagens de descobertas como deste mineral só podem ser usufruídas por quem dispor da ciência, tecnologia e fábricas capazes de transformá-lo e inseri-lo em dispositivos úteis”.

Fonte: OFolhaNews

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